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Café da Amazônia: como Silves se tornou referência no cultivo de robusta

Por Cris Lins Kury · 3 de novembro de 2026

CK

Autora

Cris Lins Kury

Responsável de Projetos SUD

Café da Amazônia: como Silves se tornou referência no cultivo de robusta

Quando se fala em café no Brasil, vêm à mente as montanhas de Minas Gerais ou as fazendas de São Paulo. Mas há uma história cafeeira sendo escrita muito mais ao norte — no coração da Amazônia, no município de Silves, a cerca de 300 quilômetros de Manaus.

Uma ilha de gente e de café

Silves é conhecida como a "ilha do amor": um município banhado pelo lago de Canaçari, onde a vida segue o ritmo dos rios. Foi nesse cenário que o café robusta encontrou condições ideais: clima quente e úmido, solos férteis e água em abundância.

O cultivo ganhou força nas últimas décadas, quando famílias que viviam da pesca e da agricultura de subsistência descobriram no café uma fonte de renda estável — e uma razão a mais para manter a floresta em pé.

Café que nasce na floresta

Diferente dos grandes cafezais de sol pleno, o café de Silves cresce em sistemas que convivem com a vegetação nativa. Essa convivência protege o solo, mantém a biodiversidade e dá ao grão características únicas — resultado de um equilíbrio que só a Amazônia oferece.

Hoje, o robusta amazônico é reconhecido nacionalmente: participa de concursos de qualidade, abastece torrefadores de todo o país e começa a despertar o interesse de compradores internacionais.

O papel da ASA

A Associação Solidariedade Amazonas (ASA) é a organização que dá força coletiva a esse movimento. Ela reúne os produtores, promove capacitações, organiza a comercialização e leva o nome de Silves para feiras e eventos do setor cafeeiro — como a Semana Internacional do Café.

"Silves provou que é possível produzir café de excelência na Amazônia sem derrubar uma árvore. Nosso café é a prova viva de que floresta em pé também é negócio", afirma Cris Lins Kury, responsável de projetos SUD.

Um futuro que já começou

Com os 300 anos do café no Brasil se aproximando, em 2027, a Amazônia se prepara para escrever o próximo capítulo dessa história. E ela será escrita por famílias como as de Silves — com as mãos na terra, os olhos no futuro e uma xícara de café robusta sempre por perto.

Na próxima vez que você tomar um café, lembre-se: ele pode ter vindo de uma floresta que continua de pé — graças a quem escolheu cultivar em harmonia com ela.

Por Cris Lins Kury — responsável de projetos SUD, Silves, Amazonas.

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